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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Minha religião é o cristianismo

Este texto é muito bom e é de um grande amigo que tenho: Mestre Igor Miguel

Por Igor Miguel

Sei que os moderninhos de plantão vão gritar. Mas, não estou preocupado. Apenas me preocupo em afirmar que a energia que dedico é mais por Cristo do que por qualquer outra coisa. Entretanto, dedico energia também para defender os que defenderam meu Senhor com suas próprias vidas, energia e capacidade. Defendo não somente Cristo, mas também seus dons, suas dádivas, e naturalmente, sua Igreja.

Tenho ouvido com frequência as pessoas usarem a frase de Ghandi (um não-cristão) de que "querem Cristo" , mas "não o cristianismo", afirmam que não querem uma "religião".

Outra balela que repetimos dos outros sem saber sua origem. Claro que temos uma religião, a vida religiosa é inescapável. Religião é um sistema de vida, uma visão de mundo, afetada por nossas convicções a respeito do que Deus é e do que somos a partir desta crença nEle. Ora, neste sentido, todos temos uma religião.

A questão é que alguns preferem se ligar a uma comunidade histórica, situada no tempo, complexa, mas presente e persistente entre as nações, para se posicionarem religiosamente. Outros, preferem o individualismo iluminista, preferem a afirmação pagã de que se é "dono do próprio nariz", alegando sutilmente, que a religião cristã é apóstata ou pagã, invertendo a alegação. Tenho ouvido isso recorrentemente por aí, infelizmente, tenho ouvido homens como Caio Fábio, Ricardo Gondim e outros, falando coisas do gênero. Tenho ouvido isso de emergentes, pessoas envolvidas em movimentos proféticos e primitivistas. Ora, o problema é que ao afirmarem que não querem nenhum vínculo com o cristianismo, ou com o que os mestres do cristianismo afirmaram, no fundo no fundo, em uma demonstração final e definitiva de arrogância, estão dizendo que preferem seus próprios créditos, do que a credibilidade daqueles que nos antecederam.

Mas, o que é o cristianismo? O pergunta difícil... honestamente, reduzi-lo a seu formato clássico institucional não seria justo. Afinal, o cristianismo transcende os muros do catolicismo romano, coisa que ela mesmo já admite. Não são poucos os teólogos católico romanos que leem teólogos protestantes, reconhecendo-os como parte da grande cristandade.

Mas, uma coisa sabemos que é ser cristão, uma estrutura de comunhão que une todos os cristãos e sempre os uniu na história:

Que nosso Deus é único, é criador de todas as coisas, eternas e temporais. Que este Deus se dirige aos homens para salvá-los. Que esta salvação envolveu a própria revelação de seu amor, por meio da encarnação de seu Filho - Jesus Cristo. Que é Ele mesmo Deus, e é Ele mesmo o rosto do Pai e reflete quem Ele é. Que este Jesus, é a provisão de Deus para o perdido. Que em seu drama de nascimento, ministério, morte, ressurreição, ascensão e retorno, efetua eficazmente os planos de salvação e redenção dos homens e da criação.

O cristianismo em unanimidade crê na atuação presente do Espírito Santo nos discípulos de Cristo, selando-os até o dia do resgate da herança (Ef 1). Que este Espírito guia, consola e inspira os santos, para que vivam a realidade da ressurreição e a realidade de Cristo, mesmo após 2 milênios após sua ressurreição. Sem qualquer evidência concreta, homens de todos os povos, línguas e nações curvam-se à persuasiva ação do Espírito, que convence o homem do pecado, justiça e do juízo.

Todo cristão sabe, que o cristianismo sempre pregou, que por um ato de graça, nos unimos misteriosamente com Jesus e que esta união inaugura uma vida nova, uma vida de fervor, missão, santidade e boas obras que glorificam a Deus. E mais do que isso, esta união nos eleva como criaturas, justificando-nos, suspendo a ira, a cédula da dívida, a condenação.

Isto é cristianismo básico, e se isso é o que o cristianismo pregou e prega, eu sou cristão e minha religião é o cristianismo. Claro que existiram péssimos cristãos, mas o foram não por falta de aviso, pois estava tudo lá. Que idealismo é este? Se na última ceia tinha um discípulo que o traiu (Judas), outro que negou (Pedro) e o amado (João), por que o cristianismo seria diferente? Lugar de joio e de trigo, por isso, digno de minha atenção, minha comunidade.

O falso-cristão não anula o testemunho histórico do que bons cristãos fizeram (e a lista é enorme destes santos) estes eram no final de contas, bons discípulos de Cristo. Assim, negar o cristianismo é negar toda esta estrutura de fé, confissão e paixão que orbita ao redor da suficiência de Jesus Cristo. Afirmar o cristianismo é fazer parte de uma comunidade com uma fé central, basilar, cristocêntrica, mas ainda uma comunidade longe de ser perfeita, ela é inacabada, eclesia casta et meretrix*. Não bate nela não! Como diria o Pr. Isaque pai do meu amigo André Tavares. Não bate nela não, pois é o abrigo, a interface cultural entre o Corpo invisível de Cristo e o presente século.

Sem frescuras: Meu Deus é Jesus Cristo, mas minha religião é o cristianismo.

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*Igreja Santa e Pecadora (prostituta)

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