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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Introdução do livro “A ARTE NÃO PRECISA DE JUSTIFICAÇÃO” de H. R. Rookmaaker


“Os artistas em nossa sociedade estão em uma posição muito particular. Por um lado, são bastante considerados, sendo vistos como sumos sacerdotes da cultura, conhecedores dos segredos internos da realidade. Por outro, são vistos como pessoas completamente supérfluas. Respeitados, sim. Porém, muitos estão prontos a permitir que morram de fome. Quere­mos que os artistas sejam sérios e criem coisas profundas com um valor quase eterno, coisas sobre as quais as pessoas ligadas àquela cultura possam conversar séculos mais tarde. Porém, se eles quiserem alcançar sucesso, são forçados a aderir aos gostos do momento, a ser comerciais e a fazer papel de palhaço em vez de sábio. Claro que esse não é um problema novo. Tem sido assim deste o século 18, quando o antigo conceito do artista como artesão começou a ser trocado por um conceito que o considerava tanto um gênio talentoso quanto um segregado social e econômico.

Os artistas cristãos também têm de lidar com essas com­plicadas tensões. Contudo, seus problemas frequentemente são maiores porque é difícil para qualquer cristão viver em um mundo pós-cristão. Espera-se que os artistas trabalhem a partir de suas convicções, mas isso pode ser visto por seus contemporâneos ateus como ultraconservador ou totalmente ultrapassado. Além disso, eles geralmente não contam com o apoio de sua própria comunidade, igreja e família, que os consideram radicais ou desocupados imprestáveis. Eles são acusados de estarem no caminho errado desde o princípio. Assim, os artistas cristãos frequentemente trabalham debaixo de forte pressão.

Por outro lado, precisamos muito de uma arte que seja saudável e boa, e que as pessoas entendam. Se os cristãos fize­rem esse tipo de trabalho, talvez não alcancem grande fama, mas muitos amarão suas obras. E muitos conseguirão ganhar a vida assim. Portanto, não há razão para autopiedade. Há uma contribuição a ser feita em uma época que é, de maneira geral, explicitamente anticristã.

A Arte Não Precisa de Justificativa é dedicado aos artistas cristãos que tive a honra de conhecer e cujo trabalho considero importante em vários aspectos. É resultado de uma palestra realizada em 1975 no Festival de Artes na Inglaterra, ao qual compareceram algumas centenas de jovens artistas que se professavam cristãos ou que eram, pelo menos, interessados na questão. Agradeço a Nigel Goodwin e sua equipe — que organizaram essa e outras conferências similares — pelo convite, uma das muitas demonstrações de amizade baseadas em fé e interesse comuns.

Deve ficar claro que falo primeiramente ao pintor e ao escultor, criadores das artes visuais. Assim o faço pelo fato de meu conhecimento estar primariamente nesse campo. Con­tudo, a situação e os problemas são similares aos enfrentados por muitos artistas, músicos, compositores, atores, escritores, dançarinos, comediantes e outros.”

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